A importância da psicologia na escolha dos goleiros.
Por Marcos Pina
Cref 012030-P/MG
Durante todo o jogo, o goleiro tem atrás de si apenas a rede, pronto para definir o resultado da partida. O grau de responsabilidade desse importante personagem do futebol é elevado: um pequeno erro pode causar perdas irreversÃveis, tanto no lado pessoal quanto no coletivo.
As particularidades da função de goleiro no esporte coletivo mais popular do mundo fazem com que esse atleta necessite, em todos os sentidos, de uma preparação diferente dos demais jogadores do elenco, principalmente na parte psicológica. O goleiro é uma posição estratégica para o rendimento da equipe – e por isso precisa de cuidados especÃficos.
Na hora de escolher seus goleiros, cada vez mais, os clubes de futebol focam suas atenções – nas famosas “peneiradas” – em jovens altos, longilÃneos e mais fortes, que além da necessária agilidade dentro do gol, possuem também um bom controle da bola com os pés, garantindo bastante tranqüilidade para a defesa. Há também um padrão de personalidade definido, que orienta o momento do processo de seleção: todo goleiro precisa ter caracterÃsticas de liderança, concentração e facilidade na comunicação.
Não se pode afirmar que existem estratégias especÃficas para uma melhor preparação de goleiros, mas é importante que eles tenham uma personalidade diferente do restante do grupo, preparada para suportar a pressão, o isolamento e até os momentos de frustração. Este é um fato percebido em todos os grandes atletas da posição. Uma grande defesa é apenas obrigação, mas, quando erra, o goleiro sofre uma cobrança muito mais intensa do que o restante do grupo de jogadores.
Por ser um orientador da equipe dentro de campo – desempenhando, às vezes, a função do próprio treinador – um bom goleiro tem, além de uma visão global da partida, uma perfeita leitura tática, podendo organizar de forma eficiente toda a sua defesa. Isso tudo aumenta não só suas próprias exigências, como toda a apreensão do restante do grupo e da própria torcida.
Uma seleção que não leve em conta os critérios especÃficos necessários à posição pode resultar na escolha de um goleiro que não lidará de forma positiva com suas frustrações e responsabilidades. Assim, o atleta acaba abandonando a função ainda nas categorias de base. Por isso, é extremamente importante que a escolha seja bem feita. Aprender a conviver com todos os fatores relacionados à posição de goleiro acaba criando uma seleção natural.
Já nas categorias de base, é essencial que os goleiros aprendam a lidar com a euforia dos acertos e as frustrações dos erros. Aos poucos, ele vai se dando conta de que as falhas, assim como os acertos, são partes do seu dia-a-dia.
O goleiro deve ser inserido em três processos: motivação, concentração e controle emocional. Euforia, frustração e ansiedade são situações emocionais diretamente relacionadas ao desenvolvimento técnico e emocional desse tipo tão peculiar de atleta. A inteligência emocional dos goleiros deve ser bem trabalhada, pois, durante a partida, os jogadores de linha correm e têm ações mais automatizadas, enquanto o goleiro, além de ficar analisando o jogo de uma posição privilegiada, precisa focar sua atenção na disputa, para não perder a concentração, o que poderia ser muito desastroso para toda a equipe.
É importante que o treinador de goleiros prepare o atleta para aceitar bem as derrotas e os erros e, para que seu desempenho durante os jogos não fique prejudicado, é preciso sempre transmitir tranqüilidade. Assim, o goleiro mantém seu foco direcionado ao momento.
2 Comentários 3 de novembro de 2009


