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11 regras do futebol de rua.

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Futebol de rua sempre traz boas recordações da infância. Lembro quando a gente jogava bola na nossa rua estreita e acabava acertando a janela do Seu Zé Vermelho, um senhor já com idade avançada – mais ou menos 70 ou 80 anos. Ele ficava tão enfurecido que logo saía para gritar com todo mundo. O problema é que ele já não tinha mais tanta força nos pulmões e, por mais que se esforçasse, não conseguia atingir o volume desejado na hora de esbravejar. A turma toda acabava rindo muito da cara dele, o que o deixava mais bravo e cada vez mais vermelho, daí o apelido Zé Vermelho.

Abaixo, algumas regras básiscas para se disputar esse esporte genuinamente brasileiro.

1) A BOLA

A bola pode ser qualquer coisa redonda, como uma laranja, uma lata vazia ou até mesmo um coco. No desespero, usa-se até uma bola mesmo.

2) O GOL
O gol pode ser feito com o que estiver à mão: tijolos, pedras, camisas emboladas, latas vazias, chinelos e até os livros que você leva pra escola. A largura é de um passo, mais ou menos um metro.

3) O CAMPO
A largura do campo vai de um meio-fio ao outro, já o comprimento é equivalente a 3 casas e meia. Nos clássicos, o comprimento é de um quarteirão inteiro, isso mesmo, uma rua todinha do mais tosco futebol.

4) DURAÇÃO DO JOGO
Normalmente é assim: 5 vira e 10 termina, ou, até o dono da bola, cansado de ficar “na de fora” ir embora. Nos jogos noturnos, até alguém da vizinhança ameaçar chamar a polícia.

5) FORMAÇÃO DOS TIMES
Varia de 3 a não-sei-quantos jogadores de cada lado. Ruim fica lá atrás, não deixando fazer gol. O meia-boca joga na ponta, esquerda ou direita, depende da perna que faltar. O de óculos é meia-armador, para evitar os choques. Gordo é sempre beque. Os moleques menorzinhos ficam espalhados pelo campo, correndo e atrapalhando todo mundo. Vai que sai um gol.

6) O UNIFORME
Com camisa e sem camisa, todos descalços. Simples assim.

7) O JUIZ
Quê juiz?

8) AS INTERRUPÇÕES
No futebol de rua, a partida só pode ser paralisada em 3 eventualidades:

a – Se a bola entrar por uma janela. Neste caso os jogadores devem esperar 10 minutos pela devolução voluntária da bola. Se isso não ocorrer, os jogadores devem designar um voluntário (geralmente o menor) para bater no portão da casa e solicitar a devolução, primeiro com bons modos e depois com ameaças de depredação.

b – Quando passar na rua qualquer garota muito gostosa. Muito gostosa mesmo!

c – Quando passarem veículos pesados. De ônibus para cima. Bicicletas e Fusquinhas podem ser chutados junto com a bola e, se entrar, é gol.

9) AS SUBSTITUIÇÕES
São permitidas substituições no caso de um jogador ser arrastado para casa pela orelha para fazer lição ou em caso de atropelamento.

10) AS PENALIDADES
A única falta prevista nas regras do futebol de rua é quando o adversário é arremessado dentro do bueiro.

11) A JUSTIÇA ESPORTIVA
Todos os casos serão resolvidos na porrada mesmo.

1 Comentário 3 de novembro de 2009

Novo Aarão Reis, onde os fracos não tem vez.

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Por Denilson Gambito.

Bairro Novo Aarão Reis, início da tarde, sol de dezembro, o entrelaçado de crianças pra lá e pra cá. É, não é apenas um domingo qualquer. O pandeiro, o batuque, a fumaça do churrasquinho no botequim à beira do alambrado anunciam mais uma partida do Cantagalo.

A comunidade em festa, vai ter futebol.

É carrinho de pipoca, bebê chorando, bêbado enchendo o saco, funk, pagode, tudo junto e misturado, impossível de descrever. Aos poucos, os amigos mais chegados vão se aproximando, o carro velho com o escudo do time no vidro de trás, kombis… Um ônibus 89, com as estrelas de camisas listradas de amarelo e preto batucando nos encostos dos bancos o pagode que a molecada sabe de cor, é a esperança de gol. O mulato simpatia anuncia a chegada do time adversário – o inimigo do dia. A disputa do caneco dourado na beira de campo vai começar.

Do outro lado, o presidente do time local acerta os bastidores, enquanto o velho e abnegado roupeiro confere as torneiras enferrujadas do modesto vestiário. Chega o trio amarelo da arbitragem, franzinos juízes – a segurança, garantia da casa. Auxiliares do time já preparam o saco de pó de carvão, é necessário marcar o campo de terra batida para o espetáculo. Nesse jogo, a tradicional marca de cal será negra, será carvão mesmo, já que sempre sobra aquele pó preto nos sacos usados para churrasco.

Os minutos vão passando, iniciada a preleção, os garotos da comunidade já começam a ocupar seus lugares no alambrado, foguetes a postos, os corneteiros já dão o tom das suas reivindicações, velhos, crianças, senhoras, todos param por um instante, o Maracanã é ali, naquele retângulo irregular, mal feito, de terra, com pequenas ilhas de grama, o rio barrento e sujo à beira do campo é o limite do fim do bairro.

Gandulas, audaciosos malabaristas que buscam perdidas bolas em mata fechada, em rio lamacento, o espetáculo não pode parar. Faltam poucos minutos para o apito inicial. É possivel ver o roupeiro, ex-jogador do time, atravessando o campo com volumosas sacolas de lona de caminhão com as cores do seu glorioso time do coração. Ainda dá tempo de olhar e desejar aquela taça dourada.

O relógio anda, aparecem os guerreiros, uniformizados preparados para a peleja. O sol vai vagarosamente perdendo sua força, deixando que apenas os jogadores brilhem. A torcida insana trepada no alambrado empurra o time, o Juiz observa, confere o cronômetro, olha para os bandeirinhas. O cheiro do churrasco fica mais forte, um cachorro atravessa correndo o campo.

O mundo para – o zunido estridente do apito parece entrar no ouvido de todos, começa a disputa.

Deixe um comentário 3 de setembro de 2009


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